quarta-feira, 30 de novembro de 2011

TESTE QUATRO RODAS/VALE A PENA VOCE COMPRAR UM PNEU REMOLD?




PNEUS REMOLD

UM PNEU REMOLD CUSTA METADE DE UM MODELO NOVO. FIZEMOS O TESTE PARA SABER SE A ECONOMIA VALE A PENA

POR WILSON TOUME / FOTOS PAULO VITALE
LISTA DE MATÉRIAS POR DATA:

Ninguém tem certeza de onde vem o nome remold - deve ser de "remodelado", do inglês remolded. Mas esse tipo pneu é cada vez mais conhecido por quem tem automóvel. Segundo estimativa da Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), os remold abocanharam 10% do mercado de passeio em 2003, que foi de 12,5 milhões de unidades no total. A razão da popularidade é o preço. Os remold - que são pneus remanufaturados, feitos a partir das estruturas (carcaças) de pneus usados - custam em média 50% menos que os similares novos. Mas será que eles entregam a mesma segurança, conforto e desempenho?

Para responder a essa pergunta nós decidimos testar as principais marcas do mercado. A medida escolhida, 185/60 R14, foi a do veículo usado no teste, o Renault Clio 1.0 16V. E os pneus, os BS Colway Millennium, Itapneu IGTV Sport SP, Pneuback M-5000, Sterling ST3-A e Tyrex Raptor Ecologic. Além dos remold, porém, elegemos também uma marca tradicional para que os leitores pudessem comparar não só o desempenho dos remold entre seus pares, mas também com um jogo de pneus novos. A marca escolhida foi uma das três homologadas pela Renault para o Clio 1.0 16V.

Os pneus foram submetidos a uma bateria de testes que avaliou o consumo de combustível e o nível de ruído do carro com cada um dos jogos, a tendência à aquaplanagem, a aderência em pista seca e molhada e a capacidade de frear em piso seco e molhado. Ainda na fase dos preparativos, um exame visual revelou que uma das carcaças do modelo da Itaipava possuía três consertos internos que colocavam sua integridade sob suspeita. E, de fato, esse pneu apresentou problemas. Antes de serem levados para o campo de provas, os pneus passaram por um assentamento: rodaram 100 quilômetros em estrada, com velocidade constante. Sem motivo aparente, o Itapneu esvaziou durante o percurso. Ao desmontar a roda, ficou constatado um defeito de fabricação, que resultou em um furo minúsculo na lateral do pneu, o que motivou a retirada desse jogo do teste. Outro detalhe que chamou a atenção foi a dificuldade em balancear as rodas, durante a montagem dos pneus remold, um sinal de que eles possuem uma distribuição de peso desequilibrada, em sua construção.

Cada pneu novo nos custou 217 reais, enquanto o preço dos remold varia de 95 a 115 reais a unidade. Os remold foram retirados nas fábricas, que não dispõem de pontos de venda específicos, e os novos, adquiridos em um revendedor de Campinas (SP). A diferença de preço é convidativa, para quem faz as contas. Mas nós não recomendamos esse tipo de economia. Ao final do teste, nós constatamos que os remold também entregam menos conforto, desempenho, durabilidade e, principalmente, segurança.

a virtude está no meio
O melhor pneu é o que consegue o desempenho mais regular

É lugar-comum entre os fabricantes dizer que pneu é um cobertor curto. Eles partem do princípio de que é impossível fazer um pneu perfeito. Sempre que se atende plenamente a um requisito, descuida-se de outro. Assim, o melhor pneu costuma ser o que consegue desempenho mais regular sob todos os aspectos. Em nosso teste, entre os remold, esse pneu foi o Pneuback, primeiro colocado em duas provas, mas dono de performance regular nos outros ensaios. Em comparação ao novo, todos os remold tiveram desempenho inferior, no entanto. Além disso, é consenso entre os fabricantes que os pneus remold têm vida útil cerca de 30% menor.

Começamos o teste pelas provas mais leves, deixando as destrutivas para o final. O primeiro ensaio mediu o nível de ruído interno do carro, com os diferentes jogos de pneus. Para isso, usamos um decibelímetro, um aparelho específico para medir o nível sonoro. Muita gente não se dá conta, mas o ruído causado pelo contato dos pneus com o chão pode incomodar. E muito, uma vez que o silêncio a bordo é um item de conforto. O nível de ruído está relacionado ao desenho da banda de rodagem e também ao composto da borracha. Mas, no caso dos cinco jogos avaliados, não houve grande variação. Nenhum deles alterou significativamente o nível sonoro dentro do Renault Clio. Em quinta marcha a 100 km/h, por exemplo, a diferença entre o mais barulhento, o Tyrex, e o mais silencioso, o BS Colway, foi de 3 decibéis. Segundo os estudiosos, o movimento de folhas carregadas pelo vento provoca 15 decibéis.

TODOS OS NÚMEROS
Nível de Ruído (em decibéis) BS COLWAY TYREX STERLING PNEUBACK NOVOS
ponto-morto 43.8 42.9 42.4 42.8 42.7
rotação máxima 72.0 73.3 70.3 71.8 71.5
4a a 80 km/h 63.3 65.4 63.4 63.7 63.5
5a a 100 km/h 68.2 71.2 68.7 68.3 69.4
Consumo de combustível (média, em km/l)
urbano 9.13 9.14 9.13 9.15 9.12
rodoviário 13.82 14.0 13.85 14.15 14.27
Aquaplanagem (km/h) 70 75 75 85 85
Aderência lateral no seco (segundos) 15.27 15.32 14.99 15.32 14.85
Aderência lateral no molhado (segundos) 16.72 16.51 16.59 16.48 15.78
80km/h a 0 no seco (metros) 37.0 37.5 36.9 37.0 35.3
80km/h a 0 no molhado (metros) 53.0 56.0 52.3 54.5 48.5

consumo de combustível
Baseados na experiência com os pneus novos, no teste realizado na edição de junho de 2002, nós não esperávamos diferenças significativas em consumo. Mas era preciso conferir. Para essas avaliações, realizadas na pista da TRW, em Limeira (SP), utilizamos um medidor de fluxo de combustível, em conjunto com o computador de testes, o Correvit, simulando o consumo nos regimes de uso urbano e rodoviário. Na cidade, a diferença entre os jogos foi ínfima. O Clio fez a média de 9 km/l com todos os avaliados. Na estrada houve alguma variação. O rendimento foi menor com o BS Colway, com a média de 13,8 km/l, enquanto com o Tyrex - o mais econômico - ficou em 14,0 km/l. Para o pneu novo a média foi de 14,3 km/l.

aquaplanagem
Um carro aquaplana quando se forma uma camada de água entre seus pneus e o piso. Nessa hora, o veículo perde o contato com a estrada e, como diz Galvão Bueno, o motorista vira passageiro. A aquaplanagem pode ocorrer em função de vários fatores, como o peso do veículo, a velocidade desenvolvida e a quantidade de água na pista. No que diz respeito aos pneus, a influência vem de suas dimensões e do desenho da banda e também da calibragem e do estado de conservação. Essas características determinam a capacidade dos pneus de drenarem a água e manterem-se em contato com o solo.

No teste, controlamos todas as variáveis possíveis, para observar apenas a participação dos pneus na aquaplanagem. O teste foi realizado com o mesmo veículo e piloto, em um trecho de 400 metros do Campo de Provas da Pirelli, em Sumaré (SP), com uma lâmina d'água de 6 milímetros de altura constante. O pneu que se deu bem na água foi o Pneuback, porque o desenho de sua banda de rodagem possibilitou a melhor drenagem da água. Com esse jogo foi possível manter o Clio sob controle até 85 km/h, mesma marca do pneu novo. O Tyrex, com desenho similar, mas menos eficiente, foi o segundo melhor, chegando até os 80 km/h antes de esquiar. Sterling e BS Colway foram, nessa ordem, os que deixaram a desejar, permitindo que a água influenciasse no movimento do carro.

aderência lateral
O objetivo nessa prova era percorrer a pista circular de 300 metros de extensão e 50 metros de raio da pista da Pirelli no menor tempo possível, mantendo o carro sob controle.

Sobre piso seco, os únicos que conseguiram realizar a volta num tempo abaixo dos 15 segundos foram os novos e os Sterling. Ao volante do carro, porém, o repórter Adriano Griecco notou grandes diferenças de comportamento. Os pneus Sterling dobraram menos nas curvas, revelando uma estrutura lateral mais firme. E, além disso, eles foram os donos da melhor aderência entre os remold, provavelmente graças a um composto mais macio. Os Pneuback, ao contrário, se mostraram muito moles na estrutura e duros no composto. Faziam com que o carro escorregasse mais, exigindo correções de trajetória. Os jogos da BS Colway e da Tyrex foram muito parecidos, tanto na diferença de tempo quanto na necessidade de correções constantes de trajetória. Eles se mostraram menos flexíveis que os Pneuback, mas sem a aderência dos Sterling.

Com a pista molhada, foi hora de conferir a eficiência dos desenhos das bandas de rodagem em escoar a água. Dessa vez, o Pneuback, que não foi bem no seco, deu o troco e se saiu melhor que os concorrentes (ele já havia obtido um bom resultado nas provas de aquaplanagem). Mas o jogo da Tyrex, embora tenha obtido o segundo melhor tempo, foi o que pediu maiores correções ao volante. Sterling e BS Colway exigiram correções de volante e de aceleração, para retomada de tração, constantes. Os pneus novos se destacaram pela melhor aderência nas duas condições de piso.

frenagem
Uma das maiores preocupações tanto para quem produz quanto para quem adquire um pneu é a capacidade que ele terá de parar o carro em uma emergência. Nosso teste mediu a frenagem partindo de 80 km/h até a imobilidade total. Na pista seca, as diferenças de espaço entre os remolds foram pequenas. Todos frearam em cerca de 37 metros, enquanto os novos percorreram 35,3 metros. No molhado, houve maior variação nos resultados e os remold precisaram de um espaço ainda maior para frear o Clio. O Sterling foi o que se saiu melhor, com a distância de 52,3 metros. Atrás ficaram o BS Colway, com 53 metros, e o Pneuback, com 54,5. O Tyrex foi o pior, com 56 metros. Ou seja, 7,5 metros a mais que o pneu novo, que parou em 48,5 metros - uma diferença que equivale a dois Chevrolet Celta.

TIPOS DE REFORMA

Recapagem:
consiste em aplicar uma nova camada de borracha apenas na banda de rodagem . É comum para pneus de carga, cujo projeto prevê a reutilização. (1)

Recauchutagem: substitui a parte que vai da banda de rodagem até os ombros. (2)

Remoldagem:
toda a estrutura entre os talões é coberta com uma nova camada de borracha. (3)



FORA DE PADRÃO

Em nosso teste, foi Uma das dificuldades em realizar este teste foi encontrar todos os pneus com índice de velocidade H, para até 210 km/h, recomendado pela Renault. Achamos o BS Colway com índice S, para 180 km/h. O Tyrex e o Pneuback, com índice T, para 190 km/h. E só o Sterling era H. Mas, segundo os lojistas, há ainda outros problemas, como a falta de controle em relação à origem das carcaças. Eles dizem que em um mesmo jogo de pneus pode haver quatro carcaças diferentes, o que prejudicaria o comportamento dinâmico do veículo.

TIPOS DE REFORMA

Recapagem:
consiste em aplicar uma nova camada de borracha apenas na banda de rodagem . É comum para pneus de carga, cujo projeto prevê a reutilização. (1)

Recauchutagem: substitui a parte que vai da banda de rodagem até os ombros. (2)

Remoldagem:
toda a estrutura entre os talões é coberta com uma nova camada de borracha. (3)





FORA DE PADRÃO

Em nosso teste, foi Uma das dificuldades em realizar este teste foi encontrar todos os pneus com índice de velocidade H, para até 210 km/h, recomendado pela Renault. Achamos o BS Colway com índice S, para 180 km/h. O Tyrex e o Pneuback, com índice T, para 190 km/h. E só o Sterling era H. Mas, segundo os lojistas, há ainda outros problemas, como a falta de controle em relação à origem das carcaças. Eles dizem que em um mesmo jogo de pneus pode haver quatro carcaças diferentes, o que prejudicaria o comportamento dinâmico do veículo.









TESTE QUATRO RODAS

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe voce também sua opinião!